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Uma lenda viva chamada Evaldo Dreger

"Existem dois tipos de administradores: o que administra o que tem e o que administra projetando a cidade para daqui 50 anos. Campo Bom precisava crescer e eu fiz de tudo para isso” AG "Existem dois tipos de administradores: o que administra o que tem e o que administra projetando a cidade para daqui 50 anos. Campo Bom precisava crescer e eu fiz de tudo para isso”

Campo Bom ainda era uma minúscula vila de São Leopoldo. Vinte e um de janeiro de mil novecentos e vinte e quatro. Foi na tarde deste dia quente de verão, na rua Tiradentes, 347, que nascia uma das maiores personalidades que essa terra já produziu. Evaldo Dreger viu tudo! Viu o trem chegar e partir repetidas vezes e, nos intervalos, eram nos trilhos que, descalço, ele brincava e passava o tempo. Mas o que ele mais gostava de fazer era passar o dia jogando bola com seus amigos, na rua Lima e Silva, próximo onde hoje está instalada a Câmara de Vereadores. O tempo que passou. Assim como a poeira das ruas de chão batido, que, décadas depois, foram dando lugar ao asfalto. E o progresso não parou mais por aqui.

Na semana em que completou 93 anos de uma vida absolutamente admirável, seu Evaldo, primeiro vice-prefeito e segundo prefeito da história da cidade, filho de Balduino e Antonieta, esposo de Lya, 87 anos, pai de Lisane, avô de Fabiano e bisavô de Lara e irmão de Walter (falecido em 1999) e Silda (falecida em 2007), conversou com o jornalista Renan Spengler e, com uma lucidez espantosa e detalhada, falou do que ele mesmo define como sendo o seu assunto preferido: Campo Bom.

A luta pela emancipação

“Na história de Campo Bom, hoje somos apenas uma continuação”. Com essas palavras relembrou os dias difíceis e de luta que antecedeu a independência da cidade, que antes pertencia a São Leopoldo. Segundo ele, com a chegada do trem, em 1905, que ligava a cidade de Taquara, que na época era uma potência econômica, à Porto Alegre, muita coisa mudou. Antes da estação férrea (que se localizava onde hoje funciona o Centro de Ludicidade, na avenida Adriano Dias), a única forma de chegar à vila era através do Rio dos Sinos. “Com a chegada do trem, a vila se desenvolveu na região que hoje é o centro da cidade. Antes da estação férrea, tudo se concentrava nas proximidades do Rio dos Sinos, onde hoje é o bairro Porto Blos”, conta.

Segundo ele, na época pré emancipação, destacou-se a figura de Miguel Blos, empresário do setor oleiro, que foi o grande pensador da cidade. “A família Blos foi uma das mais importantes para o desenvolvimento de nossa cidade. Existia uma vontade muito grande do povo daqui de se emancipar de São Leopoldo. A Sociedade Amigos de Campo Bom foi formada para engrossar essa intenção. Mas São Leopoldo sempre se mostrava muito resistente a essa ideia”, conta. Conforme Evaldo, São Leopoldo chegou a ceder o bairro de Lomba Grande para Novo Hamburgo, com a intenção de frear as intenções dos moradores do distrito campo-bonense, que viam em Lomba Grande uma área para se expandir. Mas nada freou o ímpeto de um povo que tinha convicção que seus objetivos iriam ser perpetuados e que um dia, aquele pequeno vilarejo fosse se tornar algo grande, desenvolvido e hospitaleiro. E esse dia foi 31 de janeiro de 1959.

A vida política

Após se emancipar, a cidade de Campo Bom passou pela primeira eleição para eleger seu prefeito e vereadores. “Fui convidado, e praticamente intimado, pelo meu sogro Arno Kunz a ser o candidato a vice-prefeito de Adriano Dias. Eu era do PSD e o Adriano do PRP. Vencemos a chapa liderada por Claudio Strassburger por apenas 94 votos”, relembrou.
Após ser vice de Adriano Dias de 1959 à 1963, Evaldo se lançou a prefeito em 1964. “Nós tínhamos como adversários Julio Lopes (PTB) e Oscar Wagner (MTR). Saí vencedor novamente”.
A principal obra de Evaldo frente à Administração Municipal foi a construção da ponte existente até hoje sobre o Rio dos Sinos que liga a cidade à Barrinha. “Esta ponte foi concluída em tempo recorde: oito meses”, destaca. Outra obra importante de sua gestão foi a abertura da estrada que liga Campo Bom à Dois Irmãos. “Existem dois tipos de administradores: o que administra o que tem e o que administra projetando a cidade para daqui 50 anos. Campo Bom precisava crescer e eu fiz de tudo para isso. Sempre procurei projetar Campo Bom para os nossos filhos e para os nossos netos”, emociona-se.

A vida esportiva

Evaldo Dreger também foi um esportista de mão cheia, sempre defendendo o Clube 15 de Novembro, pelo qual nutre um amor incondicional. Foi jogador de futebol, punhobol, onde fez parte do time vice-campeão sul-americano na Argentina, participou da modalidade de tiro ao alvo e bolão.

Campo Bom hoje

Seu Evaldo confidenciou que já conversou pessoalmente com o atual prefeito Luciano Orsi, após ele ser eleito. Questionado sobre qual a obra que faria se fosse prefeito nos dias atuais, Evaldo não titubeia. “A duplicação da avenida Brasil seria a primeira obra que eu iria realizar”, anuncia e emenda: “O Luciano tem uma boa equipe e tudo para fazer um belo trabalho. Desejo a ela sorte e que ele seja o prefeito de todos os campo-bonenses. Quanto melhor ele fazer por Campo Bom, melhor para mim e melhor para todos”, finaliza.
Ao final da entrevista, seu Evaldo se aproximou da janela do alto do 10º andar da redação do AG e ficou, por alguns segundos, olhando para o nada. Ou seria para o “tudo”? Tudo que ele viu se erguendo, quando aqui nada existia.

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