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O maior desafio é não parar de correr

Seu Antônio posa orgulhoso em meio aos seus troféus conquistados ao longo da carreira AG Seu Antônio posa orgulhoso em meio aos seus troféus conquistados ao longo da carreira

Quando a suíça Gabriele Andersen, 39 anos, cruzou a linha de chegada na última colocação da maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, literalmente torta tamanho o seu desgaste físico, o mundo parou para assistir e discutir a que ponto o limite do ser humano pode chegar. A cena é uma das mais marcantes e emocionantes de todos os tempos da história olímpica.

Qual o limite do ser humano? Talvez esta seja uma questão que foge da lógica, que nem mesmo a ciência pode responder com exatidão. Para confundir ainda mais qualquer resposta que possa ser dada à esta pergunta, Antônio Martins dos Reis, 74 anos, 1m62cm, 63kg. Este homem não tem limites.

Ao chegar pontualmente às 8h30min em sua residência, onde ele recebeu gentilmente a reportagem do AG, nos deparamos com uma mesa cheia de fotos. Nelas o bem mais precioso que ele leva a cada tiro de largada: a família. Ele se orgulha em falar dos três filhos, seis netos e uma bisneta. “Tenho em minha família a minha força”, emociona-se, ao lado da esposa, a dona Dalva, que emenda: “Meu marido é diferente, deve ser estudado pela ciência” brinca a companheira. Na mesma mesa lembranças da infância, onde aos 11 anos, isso lá em 1953, se destacava nos campos de Porto Alegre como meia-direita do já extinto time Renner. Uma bela e bem acabada prateleira, cercada com vidros, toma conta de toda a parede de sua garagem.

Nela as intermináveis premiações conquistadas desde que seu Antônio iniciou no atletismo, em 2001, logo após se aposentar. “Corria para manter a forma e me afastar do sedentarismo”, justifica o atleta, sem prever naquela época que o seu hobby, se tornaria assunto muito sério em sua vida. Ele teve em José Feliciano Machado, o Tio Zé, (outro grande nome do atletismo campo-bonense) o seu primeiro incentivador.


Na agenda, a ultramaratona mais temida do mundo

As conquistas que seu Antônio teve até aqui parece não fazer ele se acomodar. Em sua agenda de ultramaratonas que pretende competir neste ano, caso consiga incentivo financeiro, estão: 24h de Santa Maria, em maio; Maratona de Porto Alegre, em junho; 24h Fuzileiros Navais, no Rio de janeiro, em agosto; 48h do Guarujá, São Paulo, em setembro, 24h de Valinhos, São Paulo, em novembro. Além dessas, permanece o sonho de uma participação na Maratona de Nova York, a mais famosa do mundo. Outro grande desafio que desperta interesse no atleta, são os 42km realizados no deserto do Atacama, no Chile.

Todos esses desafios citados por ele, nenhum tem a dificuldade e um cenário tão adverso como o The Barkley 100 Mile Marathon. Considerada a ultramaratona mais temida do mundo, a prova acontece no Tennessee, Estados Unidos, sempre no final do mês de março. Os atletas tem 60h para completar 160km. Em 29 anos do evento, mais de mil atletas se inscreveram, porém, apenas 14 atletas conseguiram cruzar a linha de chegada. “Eu serei o 15º competidor a entrar para essa história. Eu acredito em mim e sei que posso conseguir”, afirma, com uma naturalidade assustadora, o atleta. A prova é realizada em montanhas, com mais de 20km de subidas íngremes e piso irregular.


O melhor do mundo pode parar

Os feitos acumulados por seu Antônio renderam a ele, por três anos consecutivos, o título mundial em sua categoria nas corridas com duração de 24 horas. A marca de 187,6km, conquistada em 2012, nas 24h de Rio Grande, está longe de ser alcançada pelo segundo colocado. A previsão é que ele permanecerá por muito tempo na história do atletismo mundial.

Entre um chimarrão e outro, seu Antônio, que passou todo o tempo da entrevista de pé demonstrando uma exagerada vitalidade, só ficou sério quando falou do seu futuro no meio esportivo. O atleta recebe apoio da Academia Movimente, porém os seus custos com viagens, hospedagens e inscrições começam a pesar no seu orçamento. “Levo o nome da minha cidade com orgulho em competições dentro e fora do Brasil. Hoje meus custos começam a ficar inviáveis para seguir competindo”, afirma, demonstrando preocupação no semblante.

Seu Antônio corre com uma disposição de guri. Segue conquistando prêmios e subindo no lugar mais alto do pódio. Saúde ele afirma ter de sobra para continuar ultrapassando seus próprios limites. Mas pode acabar esbarrando nas dificuldades financeiras e na falta de apoio.


Como ajudar

Interessados em patrocinar o atleta, podem entrar em contato pelo telefone (51) 9118-9680. Ou depositar qualquer valor na conta: Santander - 33 - Agência: 1056 | Conta corrente: 10000807

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