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Milton Kirsch: um empreendedor de coração!

Milton Kirsch: um empreendedor de coração!

Este mundo velho que envelhece piorando vai nos deixando absortos com perdas de pessoas queridas que jamais poderiam nos deixar. A saudade dói tanto e as piores lágrimas são aquelas que choramos para dentro. Nesta minha longa caminhada, a poeira do sapato não me fez deixar de emocionar-me com as tristezas e as agruras desta existência. Como jornalista tive a grata satisfação de conhecer um dos melhores homens que Campo Bom já teve, um empresário com “E” maiúsculo. Um empreendedor liberal que acreditava no Brasil. Seu nome, Milton Kirsch, um sonhador que um dia decidiu sair dos sonhos, levantar as velas e navegar. Empreendedor na essência da palavra revolucionou a indústria metal mecânica de Campo Bom e construiu as margens da RS 239 no quilometro 09 a Milton Kirsch, uma empresa sólida e referência no Rio Grande do Sul pela qualidade e agilidade. Gerou emprego e renda, provando que uma empresa séria e com responsabilidade social pode ser vencedora. Tive a grata satisfação de muitas vezes me aconselhar com este homem que além de empresário era um amigo certo nas horas incertas. Antes da conversa sempre o convite: “Jornalista, vamos tomar um café para molhar a palavra?” Assim era o seu Milton. Sorriso fácil e um líder proativo. Envolvido com a comunidade, auxiliou muitas e muitas famílias preferindo o anonimato. Lembro-me quando atuei no jornal A Gazeta e criamos com a chancela do Fernando Santos, um dos grandes ícones da imprensa de Campo Bom e região, a Corrente de Fé e Solidariedade. Havia uma campanha para uma menina, moradora da Aurora, seu nome Kelly, surda e muda, morava com a avó. Desencadeamos uma campanha em 1994 para arrecadar R$ 1.200,00 reais para a compra de um aparelho auditivo. Campanha feita e a arrecadação chegou a R$ 400,00 reais, faltava ainda R$ 800,00 reais e numa sexta-feira recebo a ligação do seu Milton Kirsch que me diz: “Jair, sabe aquela menina, a Kelly quero ajuda-la com o que falta para comprar o aparelho, com uma condição que nem ela nem a família saiba quem doou o restante do valor. Pode ser assim? ” Respondi que sim e busquei um cheque do Banrisul na empresa em Quatro Colônias Norte, no KM 09, número 9.455 da RS 239, o qual descontei e repassei o valor a família. No dia em que a menina Kelly usou o aparelho e ouviu os primeiros sons, choramos todos, ela, sua vó e com certeza seu Milton quando relatei o ocorrido a ele por telefone. A voz embargou e um silêncio tomou conta da ligação. Ao retomar a ligação a voz ainda trêmula de emoção me disse: “Ajudar uma criança assim não tem preço. Quem bom Jair que pude ser um canal de auxilio nesta história”, sentenciou seu Milton Kirsch, um anjo de bondade. A morte de Milton Kirsch nos deixa uma lacuna sem precedentes. No dia de seu velório pude abraçar as filhas e genros e jamais esquecerei das palavras da Vania, pois ao abraça-la disse-lhe: “Teu pai era um homem de bem. Eu era seu fã” . Pude ouvir com lágrimas nos olhos, a filha deste empresário sério e cidadão, afirmar: “Ele gostava muito do senhor. Admirava seu trabalho e torcia pelo senhor” Além de empresário, seu Milton foi um ajudador da Apae, do Sesi e sonhava ser prefeito de Campo Bom, bem como, construiu uma família sólida que tem como parâmetros fazer o bem ao próximo, ajudando a quem precisa. Sua família, a esposa Dorivia, as filhas Jane e Vânia, aos genros Dirceu e Quintino, bem como, aos netos –Milton, Juliana, Diego, Adriana e Luciane e aos bisnetos – Gabriel e Manuela meus sentimentos pela perda. Homens como Milton Kirsch que nos deixou em 07 de novembro de 2018 aos 83 anos vão nos fazer uma falta grandiosa. Seu Milton era da estirpe dos timoneiros, aqueles que nos apontam o norte; um porto seguro em meios a mares turbulentos. Empresários que mesmo com a carga tributária absurda e o descaso de Brasília, apostaram na livre iniciativa e geraram emprego e renda, pois tinham um sonho. Homens como seu Milton Kirsch vão nos fazer muita falta, pois estão como o esquadro está para o compasso e a bússola para o polo. São homens de envergadura, livres e de bons costumes, capazes de escrever a própria história pautados no amor e resiliência. E contristado concluo minha missiva: naquela mesa está faltando ele (Milton Kirsch) e a saudade dele está doendo em mim.

Artigo escrito por Jair Wingert, jornalista e vereador.

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