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Os perigos que vêm de cima

O assunto levantado pelo jornalista e colunista do Jornal A Gazeta, Mauri Spengler, na edição de 02 de novembro de 2017 vem ganhando cada vez mais apoio popular. O articulista propôs na Coluna Rebatendo a proibição ou regulamentação da soltura de foguetes e fogos de artifícios que provoquem barulho, dentro do perímetro municipal.

A sugestão repercutiu entre os campo-bonenses, o que motivou o início da campanha #PeloFimDosFoguetes, encabeçada por Spengler. Lideranças políticas também abraçaram a causa. Em resumo, a campanha prega que os fogos com barulho devem ser proibidos para proteger os animais, que podem sofrer com desnorteamento, surdez, ataques cardíacos e até morte. Em humanos, o autor da ideia fala dos inúmeros problemas ocasionados, como amputamento de membros, stress nas crianças autistas e idosos, além de incômodo nas pessoas em leitos de hospitais.

A bandeira não é uma tendência apenas local. A primeira cidade no mundo (que adotou) foi Collecchio, na Itália. E à partir dessa, várias outras passaram a contar com a proibição ou regulamentação. No Brasil, no Estado de São Paulo, diversas cidades, entre elas Campinas, Sorocaba, Campos do Jordão, já possuem a lei. Em Minas Gerais por exemplo, Poços de Caldas, Alfenas e Três Pontas também já existe regulamentação. Em algumas, foi proibido só para a passagem de ano e em outras, a determinação, por lei municipal, proíbe fogos que emitam barulho.

 

CÃES ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS PREJUDICADOS

“Principalmente em períodos de festas de final de ano e datas em que têm jogos de futebol aumenta muito o número de fugas de animais. Sem contar no desespero que muitos deles ficam devido aos estouros”. Este relato é da voluntária Lu Knaak, uma das líderes do Projeto Cão Sem Lar, que ajuda cães de rua a acharem uma família protetora.
Marcos Klein, um dos mais experientes veterinários da cidade, conversou, de forma exclusiva, com a reportagem do AG e alertou para os riscos que os estouros dos foguetes podem causar nos animais, em especial, aos cães.

A Gazeta - Como funciona a audição dos animais?
Marcos Klein: A audição dos cães é pelo menos 4 vezes mais apurada que a dos humanos. As pessoas escutam a partir de 16 Hertz de frequência, já os cães a partir de 10 Hertz. Os cães têm ainda o poder de localizar com exatidão a direção do som. É muito fácil perceber como ele movimenta as orelhas como se fosse um radar.

AG - Quais os danos que os estouros de foguetes podem causar aos animais?
Marcos: Nem só o alto barulho de fogos de artifício afeta cães mais apreensivos e nervosos. As vezes trovões e mesmo luzes pipocando no céu provocam pavor em alguns cães. Outros não apresentam qualquer reação negativa mesmo com ouvido apurado. Os maiores danos estão relacionados a acidentes provocados pelo pavor, bem como ataques de pânico ou até ataques de coração e convulsões.

AG - O que os donos de animais podem fazer para amenizar o sofrimento durante a soltura de foguetes?
Marcos: Para tentar evitar o pânico aos fogos podemos, desde pequenos, associar a queima de fogos com coisas boas como uma brincadeira ou com o fornecimento de um petisco. Mostrar que os estampidos estejam relacionados com algo bom. Vários Blogs e sites dão dicas interessantes a respeito de manejo. Se o animal já tem a fobia por fogos, temos que tentar amenizar. Deixar em local mais isolado possível quanto ao som exterior, ficar com o animal para dar tranquilidade, colocar chumaços de algodão nos ouvidos ou ainda falar com o veterinário para utilização de medicamentos que devem ser dados alguns dias anteriores ao evento de fogos.

 

INCÊNDIO E SALVAMENTO DE ANIMAIS ENTRE AS PRINCIPAIS OCORRÊNCIAS

capitao gildoPara o Sargento Gildo Machado (foto), Comandante do Corpo de Bombeiros de Campo Bom, a prática de soltar foguetes acaba aumentando o trabalho de seu efetivo.

AG- Quais as principais ocorrências em virtude da soltura de foguetes?
Sargento Gildo Machado: São vários os riscos existentes quando da soltura de fogos de artifício, principalmente porque, em sua composição, contém o propelente que é a pólvora e outros agentes químicos. E quando falamos de queima, sempre existe o risco da ocorrência de incêndios e acidentes indesejáveis, onde podemos citar os principais como: fogo em vegetação, incêndio em residências e prédios, acidentes pessoais quando os foguetes são lançados da própria mão da pessoa pode ocorrer a explosão do artefato causando danos irreversíveis ou até mesmo amputações. Podem ocorrer danos a audição, pois a maioria das explosões ultrapassa o limite dos decibéis que nossos ouvidos suportam. Acidentes com animais, principalmente cães e gatos, onde ficam muito assustados com as explosões e no susto muitos buscam o refúgio em bueiros, fendas de muro, entre paredes, geralmente locais estreitos sendo muito difícil o salvamento. Os fogos não devem ser lançados em direção a rede elétrica podendo ocasionar o rompimento dos cabos.

AG - Em Campo Bom, desde que o senhor está no comando do Corpo de Bombeiros, teve algum incêndio iniciado por essa razão?
Sargento Gildo: É importante salientar que quando acionam a guarnição dos Bombeiros o fogo já teve início e fica muito difícil de identificarmos a causa do fogo, porém, ocorreu um incêndio em uma residência no último Natal onde a população relatou que o inicio se deu por queda de um artefato pirotécnico no telhado. Tivemos esse ano também, o salvamento de um cão que estava preso entre um muro e uma parede, na noite que o Grêmio ganhou a Libertadores, onde foi identificado, pelo proprietário, que foi devido à explosão de fogos de artificio.

AG - Quais as principais recomendações e cuidados que o senhor daria à população que insiste em soltar foguetes?
Sargento Gildo: Não soltar fogos de artifícios próximo à rede elétrica, áreas residenciais e matas (principalmente em dias secos); Os fogos devem ser comprados somente em locais autorizados; Todo o material deve ter certificado de garantia; Os fogos de artifício devem estar em boas condições; Nunca deixe os explosivos no bolso; Nunca acenda os fogos de artifício próximo da face; Não estocar em casa; Nunca acenda bombas ou rojões na mão; Se o foguete falhar não tente acender de novo nem se aproxime rapidamente; Se beber não solte fogos; Não deixe crianças soltar foguetes.
Quando for espetáculo pirotécnico deve haver um responsável técnico blaster.

 

PRÁTICA PODE ESTAR COM OS DIAS CONTADOS NA CIDADE

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A campanha #PeloFimDosFoguetes ganhou notoriedade logos nos primeiros dias com o grande apoio popular. O assunto foi parar na Câmara de Vereadores, onde o vereador Paulo Tigre, sugeriu na sessão de 13 de novembro de 2017, através de um Requerimento, o fim desta prática. “Os animais sofrem muito com os fogos de artifício. Os cães conseguem detectar sons até 4 vezes mais do que o homem. Mas não é só o dano físico que causa aos animais, mas um sofrimento cognitivo e acaba alterando seu comportamento e causando acidentes. Além disso, os seres humanos também estão expostos a diversos riscos, como, inclusive, amputações”, defendeu Paulo Tigre.

Para Mauri Spengler, a matéria de Tigre é essencial para que a campanha, iniciada por ele, ganhe força e ecoe dentro do Poder Público. “Notamos, desde o início, que muitas manifestações de concordância ao movimento chegaram até nós. O jornal, assim como os vereadores, são os porta-vozes da comunidade. Ouvi-la e dar voz a ela é o nosso papel. Quando o Jornal e o vereador se unem em um objetivo em comum, a força aumenta”, enfatiza Mauri.

O requerimento foi aprovado por unanimidade e agora tramita no Poder Executivo, a espera da assinatura do prefeito Luciano Orsi para virar, efetivamente, lei. “A soltura de foguetes configura uma tradição histórica, principalmente durante o réveillon, mas que precisa ser rediscutida, pois essa é uma prática que atenta contra o bem-estar de seres humanos e animais”, destacou Orsi. Para ele, o simples ato de soltar fogos, pode acarretar em consequências danosas à comunidade como a crueldade contra animais e crianças, danos a prédios públicos e privados, poluição sonora, poluição do ar, prejudicando a saúde pública, colocando em risco, a vida de pessoas e animais, perturbação da paz entre outros. “Sabemos, por exemplo, que bebês, autistas, gestantes, pessoas acamadas, sofrem com os estouros e estampidos dos fogos. O mesmo acomete os animais domésticos, que muitas vezes acabam empreendendo fuga de casa devido ao desespero. Isso sem contar os inúmeros acidentes que esses artefatos causam durante o seu manuseio e que podem ferir quem está utilizando e até quem nem está envolvido neste processo. Acho salutar debatermos uma lei que normatize e fiscalize a queima, soltura e manuseio de fogos de artifício dentro do município”, pontuou o prefeito.

 

ASSUNTO EM PAUTA

Mais de 45 mil manifestações faz Senado analisar proibição
O Senado Federal vai analisar a proposta de proibição de fogos de artifício com ruídos, como rojões, morteiros e bombas. A sugestão popular ultrapassou as 20 mil adesões necessárias para que o assunto seja apreciado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH), chegando até a última sexta-feira, 5, a obter 45,7 mil manifestações de apoio. Até esta mesma data, ninguém havia se posicionado contra a proposta no E-Cidadania, portal em que foi aberta a consulta à população.

Fogos são cancelados e dinheiro é economizado
A cidade de Alfenas, no Sul de Minas Gerais, não contou com a tradicional queima de fogos da virada do ano na Praça Getúlio Vargas no final de 2017. O comunicado foi feito pela prefeitura da cidade, que afirma que a medida não tem nada a ver com crise econômica. É para atender a um pedido dos protetores de animais, muito numerosos no município, em uma demanda muito comum no réveillon: acabar com o barulho que prejudica os bichinhos de estimação. A prefeitura já havia feito uma licitação de R$ 50 mil para comprar os fogos de artifício, mas não chegou a efetivar a compra. O dinheiro será economizado.


- EM PORTO ALEGRE | Em novembro de 2016, o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, sancionou a lei que proíbe a utilização de fogos de artifício em locais fechados. A capital gaúcha restringe o uso de artefatos como bombas, foguetes, morteiros, sinalizadores e assemelhados em estabelecimentos comerciais e similares. A lei de Porto Alegre prevê, ainda, punições em caso de descumprimento.
- EM RIO GRANDE | Na Região Sul do estado, a praia do Cassino levou veranistas e moradores para curtir shows à espera de 2018. Pelo segundo ano consecutivo, não houve queima de fogos por decisão da prefeitura. A iniciativa teve como objetivo conter gastos e evitar o sofrimento de animais com o barulho.
- EM SÃO SEPÉ | A comissão organizadora da 138ª Festa do Divino Espírito Santo, realizada no município gaúcho de São Sepé, optou por não soltar foguetes na última edição do evento, realizada em maio de 2017. A soltura de fogos era considerada uma tradição da festa e sempre anunciava o início das comemorações. Na cidade já é lei a proibição de fogos com barulho.
- EM ERECHIM | Conforme Projeto de Lei de autoria da vereadora Sandra Picoli (PCdoB), está proibido no município de Erechim o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos não silenciosos nos shows pirotécnicos; apresentação com elementos de pirotecnia e soltura, queima e manuseio.
- EM MONTENEGRO | Tramita na Câmara de Vereadores de Montenegro um Projeto de Lei, de autoria dos vereadores Talis Ferreira e Cristiano Von para proibir fogos de artifício com barulho.
- EM BELO HORIZONTE | Na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vereador Oswaldo Lopes apresentou projeto de lei proibindo os fogos de artifício com barulho. O texto passou pelas comissões e está pronto para ser votado em plenário na volta dos trabalhos, em fevereiro. A expectativa do parlamentar é que ele seja votado no início deste ano. O assunto também será discutido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Pelo texto, quem desobedecer à norma terá de pagar multa de R$ 30 mil.
- EM JUIZ DE FORA | Desde 2015 uma lei municipal proíbe a queima e a soltura de fogos de artifícios e artefatos pirotécnicos com potencial de produzir danos à saúde e a vida em espaços públicos em Juiz de Fora, Minas Gerais. A partir de agora, o uso dependerá de autorização prévia da autoridade competente e alguns só poderão ser feitos por pessoa jurídica e empresa especializada. Em caso de desrespeito à lei, caberá autuação e multa de R$ 1 mil. Em caso de reincidente a multa passa para R$ 3 mil. As quantias arrecadadas em multas serão destinadas ao Fundo Municipal de Saúde.
- EM CAMPINAS | Um Projeto de Lei criado em 2016, na cidade paulista de Campinas, proíbe a soltura de rojões e fogos de artifício no município, seja em locais públicos ou privados, abertos ou fechados. A proibição é restrita apenas para os fogos que causam estampido. Para quem descumprir a lei, uma multa de R$ 620,12 será aplicada, podendo esse valor ser dobrado em caso de reincidência.
- NA ITÁLIA | A polêmica dos explosivos na Itália iniciou em 2012 quando a Associação Italiana de Defesa dos Animais e Ambiente (Aidaa) pediu aos prefeitos de várias cidades a proibição do uso de fogos dos quais os italianos são tão fãs para festejar a entrada do novo ano e que aterrorizam os animais, que passam a noite escondidos. Aderiram a essa iniciativa as cidades de Turim, Milão, Veneza e Modena, no norte do país, e Bari, no sul. A precursora no quesito de proibição de fogos com barulho é a cidade italiana de Collecchio, onde são usados apenas fogos que emitem luz, sem explosões.

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