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Luciano Orsi, um ano depois...

Luciano Orsi, um ano depois... AG

Os primeiros 365 dias de governo contados em uma entrevista exclusiva, onde o prefeito Luciano Orsi avaliou o seu trabalho e de sua equipe, desde que assumiu o cargo máximo da cidade. De uma situação financeira adversa encontrada em janeiro, para um segundo semestre com um “suspiro maior”, como ele mesmo se referiu.

Orsi falou de praticamente todas as áreas de seu governo, destacando o anúncio da obra que promete revitalizar a região central da cidade e a criação de mais de 1.400 postos de trabalho até 2021.

Jornal A Gazeta - Como o senhor avalia esse primeiro ano de seu governo?
Luciano Orsi: Foi um ano repleto de desafios. Quando assumimos, nossa primeira ação foi fazer um extenso levantamento de como estava a situação financeira e estrutural de toda a Administração. A situação que encontramos não foi das melhores. A partir de então passamos a elaborar estratégias para reverter essa situação. Enxugamos a máquina pública, tomamos inúmeras medidas de economia e conseguimos manter e retomar serviços essenciais para a comunidade. Já no segundo semestre conseguimos um suspiro para a Administração e então pudemos colocar em prática algumas obras e ações mais expressivas. Estamos tentando imprimir neste governo, uma gestão participativa, aberta e transparente. Conseguimos investir em saúde, educação, infraestrutura, cultura, desenvolvimento econômico, esporte, bem-estar social, entre outras ações fundamentais para o desenvolvimento de nossa cidade. Na somatória diria que foi um ano muito produtivo, com muita transparência, muito trabalho e no qual tentei manter a proximidade com a comunidade que quero imprimir durante todo meu mandato.

AG - A lei determina um investimento mínimo para a saúde na ordem de 15% do orçamento. Seu governo investiu neste primeiro ano mais de 25%. O problema das filas nos postos de saúde também foi praticamente solucionado. Fale um pouco deste trabalho desenvolvido junto a SMS.
Luciano: A saúde é uma das nossas maiores prioridades e tem demandado uma atenção especial do governo. Para isso, temos investido em diversas ações como os mutirões de consultas e exames para diminuir as filas de espera de uma demanda reprimida que havia nessa área. Uma visão essencial da Secretaria de Saúde é que devemos investir na atenção básica e na prevenção, uma forma de promover saúde e prevenir doenças. Isso passou também pelo acolhimento humanizado nas unidades de saúde, que faz com que todos sejam atendidos, separando as consultas conforme a gravidade de cada caso, acabando com as filas. Sabemos que ainda há muito para fazer nesta área, mas vamos prosseguir investindo no bem-estar da comunidade.

AG - Um dos maiores impasses neste primeiro ano de governo foi a relação conturbada com o Hospital Dr. Lauro Reus. Como está essa situação?
Luciano: De nossa parte, trabalhamos sempre em prol da saúde da comunidade, da mesma forma que prezamos para usar sempre de forma consciente e justa os recursos da comunidade. Efetuamos e efetuaremos o repasse de todos os procedimentos comprovados. Trabalhamos para que o atendimento fornecido pela mantenedora do Hospital atenda as demandas de nossa comunidade da forma mais humana e eficaz possível.

AG - A secretaria de obras vem sendo um grande pilar da sua administração, com um serviço ágil e pontual. Já existe uma definição de qual será a grande obra de seu governo?
Luciano: No início da gestão tivemos o desafio de devolver uma cidade limpa e bem cuidada ao cidadão. A partir de então passamos a desenvolver ações e projetos, além de colocar em prática diversas obras. Hoje, temos diversos recursos captados em via de aprovação que devem resultar em inúmeras obras na cidade, principalmente na área da saúde, educação, infraestrutura urbana, esporte e lazer, entre outras fundamentais para nossa comunidade. Uma das mais expressivas, com valores em torno de R$ 20 milhões, deve ser a do pacote de revitalização da Avenida Brasil e de outras vias centrais da cidade. Essa deve ser uma obra expressiva que deve mudar o visual do centro, com recapeamento asfáltico e outras obras que melhorarão a acessibilidade e o visual da área central da cidade. Fomos pré-aprovados pelo programa Avançar Cidade do Governo Federal e iremos batalhar para obter estes recursos.

AG - O projeto Despertar vem mudando o cenário da educação local, alfabetizando os alunos das séries iniciais. Como o senhor vê a educação municipal até 2020?
Luciano: A educação é outra de nossas prioridades. Sabemos que nesta área o processo é desenvolvido desde os anos iniciais e que os bons índices são construídos gradualmente. Por isso sabemos da importância de formar a base educacional de nossos jovens desde os primeiros anos, fortalecendo esse processo em todas as fases. Também faz parte desta visão a valorização do profissional da educação, oferecendo qualificação constante e reconhecimento.
Nesse sentido, o projeto Despertar foi um passo fundamental e que deve deixar um legado para as futuras gestões. Foi uma escolha de amor por nossas crianças e pela nossa terra. Não pudemos fechar os olhos, eu e a secretária de Educação Simone Schneider, para as inúmeras crianças sendo aprovadas sem as mínimas condições, não estando completamente alfabetizadas. Queremos trabalhar com índices reais de aprovação, honrando o legado de políticos que pensaram na educação como a base de nosso país, como Brizola. Faremos assim com que só passem de ano as crianças que realmente tiverem condições pois precisamos ter um compromisso com o futuro de nossas crianças. De todas elas!

AG - Este ano também ficou marcado por algumas perdas de empresas e consequentemente muitas vagas de trabalho. Como driblar esse cenário adverso e fazer Campo Bom voltar a conquistar empresas, gerar mais empregos e renda para o município?
Luciano: O cenário econômico nacional se mostrou um desafio para todos os municípios. Mas não ficamos de braços cruzados. Fomos à luta na busca da captação de novos empreendimentos para a cidade, além de tomarmos medidas para o fortalecimento das nossas empresas e comércio. Como parte das ações de incentivo à economia, a Prefeitura lançou o Campo Bom para Empresas, um programa de suporte e incentivos de R$ 1 milhão, com objetivo de gerar empregos e receitas no município. Através do programa está previsto a geração de 750 postos de trabalho em 2018, além de 700 vagas entre 2019 e 2021.
Esse esforço conjunto, aliado a melhora do momento econômico do país, mudará o panorama do emprego em nossa cidade.

AG - No início do seu mandato foi divulgado que a saúde financeira encontrada por sua equipe era complicada. Passado o primeiro ano, o que efetivamente mudou? Podemos dizer que o município está bem financeiramente?
Luciano: Conseguimos encontrar um equilíbrio nas contas, mas, assim como a maioria dos municípios brasileiros, sofremos com recursos escassos se compararmos o montante de investimentos que desejamos fazer. Essa é uma realidade triste no Brasil, onde a União fica com a maior parte dos recursos advindos de impostos e o Município fica com a menor fatia. Enquanto isso, municípios cada vez mais absorvem a responsabilidade de investirem em áreas como saúde, educação e segurança, assumindo responsabilidades que seriam da União e do Estado. Uma ação que contribuiu para a saúde econômica do Município foi o parcelamento da dívida do Ipasem, num montante de cerca de R$ 40 milhões que foram acumulados entre os anos de 1992 e 2016. Essa ação fez a Prefeitura recuperar o atestado de bom pagador, um documento imprescindível para que consigamos utilizar algumas verbas já existentes e viabilizar novos recursos, como do BNDES, por exemplo. Essa busca de recursos através de emendas e projetos viáveis que apresentamos nos Ministérios competentes nos auxiliará na adequação financeira.

AG - Uma de suas propostas de campanha era diminuir a quantidade de Cargos de Confianças (CCs). Isso realmente aconteceu?
Luciano: Conseguimos uma redução, principalmente nos cargos que recebiam valores mais elevados. Isso representou uma redução de 20% nos valores, ampliando serviços. Mas, mais do que cortar cargos, tentamos otimizar os cargos disponíveis, alocando esses funcionários de modo a oferecer o melhor atendimento à comunidade, pois são os cidadãos que pagam nossos salários e merecem o melhor atendimento possível.

AG - É alarmante a situação da segurança pública. Quais são das medidas que o seu governo já tomou para mudar esse cenário? Como está a questão do cercamento eletrônico?
Luciano: Sabemos que a segurança é uma responsabilidade do Estado, mas estamos trabalhando dentro de nossas possiblidades para desenvolver ações nesta área. Uma delas foi a renovação da parceria com a BM para manter na cidade o Policiamento Comunitário. Da mesma forma, garantimos a implantação de mais 16 câmeras de segurança para desenvolver o cercamento eletrônico da cidade. Esse cercamento é gerenciado pelo Estado, após o repasse de verbas Federais. As últimas notícias dão conta que a implantação tenha início em 2018. Ainda em 2017 trabalhamos na manutenção e implantação de novas tecnologias nas câmeras que já temos disponíveis.
Estamos aventando a parceria com a BM para a formação de uma turma de soldados em nossa cidade. Possivelmente 30 novos soldados estarão sendo formados na cidade no segundo semestre. Lutamos para que ao final do curso esses soldados possam permanecer em nossa cidade, já que nosso efetivo está defasado. Neste janeiro/fevereiro teremos 5 soldados terminando formação aqui, ajudando ao lado dos colegas experientes, dando reforço no policiamento do município.

AG - A parte central da cidade sofre com o alto movimento de veículos e já existe um clamor para a colocação de estacionamento rotativo. O que o senhor pensa sobre o assunto?
Luciano: Acho que o assunto é polêmico e que existem argumentos tanto a favor como contra esse processo. Não temos nenhum estudo a respeito, mas creio que, caso cogitarmos essa possibilidade, seria importante ouvirmos comerciantes, moradores e visitantes, sobre seus posicionamentos entorno deste assunto.

AG - Em 2015 foram colocadas sinaleiras novas em toda a cidade. Esses equipamentos apresentaram problemas desde a sua implantação. Passado um ano, o que foi feito para solucionar esse problema?
Luciano: Os relógios dos semáforos vêm recebendo manutenção e adaptações técnicas da empresa responsável pelo contrato. Estamos em constante contato com a empresa responsável para que sejam resolvidos estes problemas técnicos dos semáforos com a maior brevidade. Caso a empresa responsável não atenda as demandas do contrato e forneça equipamentos em total funcionalidade como foi contratado, será acionada juridicamente para que cumpra o contrato e atenda as expectativas de nossa comunidade.
Os semáforos devem funcionar pois o alto valor de investimento no contrato gerado pela última gestão, não podemos abdicar de cobrar um excelente funcionamento destes equipamentos.

AG - O PDT terá candidato local a Deputado Estadual e Federal? Se sim, quais são os prováveis nomes?
Luciano: Temos algumas possibilidades, que dependerão de uma avaliação regional. Na esfera estadual cogitamos nomes como o do Vice-prefeito e secretário de Esportes Beto Santos e de Ana Patrícia Orsi.

AG - Qual a importância de Campo Bom eleger deputados, tanto para a Assembleia como para o Congresso?
Luciano: É muito importante que o município tenha representantes que se identifiquem com a cidade e lutem por nossas demandas. Esses deputados não precisam ser necessariamente da cidade ou da região – já temos o exemplo de muitos recursos aprovados ou em vias de aprovação que são encaminhados por deputados de outras regiões. Mas claro que a proximidade com deputados que tenham identificação com nossa região pode ser uma oportunidade a mais de termos alguém que defenda nossas causas na Assembleia Estadual e no Congresso.

AG - Já podemos afirmar que o senhor será candidato a reeleição?
Luciano: Ainda acho muito cedo para isso. O meu foco e de todo o meu grupo de trabalho é fazer a melhor gestão possível, de forma transparente e participativa. Futuras candidaturas ou pretensões políticas podem ser consequência disso, mas não devem ser o foco de qualquer gestor público.

AG - Passamos em 2016 por uma das eleições de pior nível da história da cidade. Na ocasião o senhor não figurava entre os favoritos e hoje é o prefeito da cidade. O que isso poderá mudar para a campanha de 2020?
Luciano: O povo brasileiro está muito desiludido com a política de uma forma geral. Acredito que isso possa ter um aspecto positivo, pois as pessoas têm rejeitado a velha forma de fazer política e muitas práticas que eram comuns entre os políticos não são mais aceitas. Espero que, independentemente de ser candidato ou não, tenhamos uma próxima campanha mais pacífica e que o eleitor possa se ater a julgar os projetos e propostas dos candidatos e que não tenhamos outro pleito tão conturbado como o último.

AG - O MDB, maior partido da cidade e que por mais vezes comandou Campo Bom, hoje faz parte de seu governo. Como o senhor vê uma possível dobradinha com esse partido para a majoritária?
Luciano: O MDB tem sido parceiro em elaborar e aprovar projetos e ações que beneficiem a cidade. Como disse antes, nosso foco é desenvolver o melhor trabalho para Campo Bom, independente de uma futura campanha para a reeleição. Ainda é cedo para discutirmos a próxima eleição.

AG - A sua coligação não conseguiu eleger nenhum vereador na última eleição. Mesmo assim, a maioria dos vereadores eleitos tem trabalhado em parceria com o seu governo. Qual a importância dessa parceria para a governabilidade da cidade?
Luciano: Penso que quando o foco é trabalhar pelo coletivo, pela comunidade, os partidos não devem falar mais alto. Acredito que esta maneira de pensar nos aproxime de todos aqueles que pensam, desejam e trabalham pelo melhor para a nossa cidade. E se pensam e principalmente agem assim, podemos construir juntos um município melhor. Nesta parceria quem ganha é a cidade.

AG - Sua esposa Kátia Orsi vem fazendo um trabalho social muito positivo para a cidade, liderando o grupo Elas por Elas, desenvolvendo ações solidárias. Como o senhor avalia esse trabalho?
Luciano: Acho muito bonito e importante para a cidade o engajamento que a Kátia e o grupo Elas por Elas tem conseguido, promovendo diversas ações solidárias na cidade. Isso tem demonstrado a força do voluntariado e da solidariedade de nossa comunidade.
Admiro minha esposa porque ela tem muitas atividades, na farmácia e em casa e sei que não é fácil. Mesmo assim, sempre soube que quando fosse preciso ela estaria lado a lado comigo.

AG - Em 2018, qual será a grande notícia para os campo-bonense?
Luciano: A grande notícia para a cidade será uma profusão de obras, ações e projetos que beneficiem a cidade e que mantenham ou ampliem nossa qualidade de vida.

AG - Qual o local da cidade que o senhor levaria um visitante seu?
Luciano: A cidade tem muitos locais bonitos e atrativos e a hospitalidade da comunidade me faz dizer que poderia levar um visitante para várias partes da cidade pois, mesmo que tenhamos alguns problemas de infraestrutura que queremos resolver, a receptividade de nossa gente, honesta e trabalhadora, poderíamos ir a qualquer parte.

AG: Deixe uma mensagem para todos os campo-bonenses
Luciano: Estamos trabalhando arduamente para que a cidade se erga economicamente como uma potência na região, com crescimento no número de vagas de trabalho. Consequentemente devemos ter mais recursos disponíveis para investirmos em áreas fundamentais como educação, saúde, entre outras que têm impacto direto na vida do cidadão. Desejo a todos os campo-bonenses um ano de 2018 repleto de realizações, alegrias e satisfação. E que Deus abençoe à todos!

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